| (Xinhua/Zhang Chaoqun) |
MOSCOU — A presidente do New Development Bank, Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira que a instituição irá ampliar a cooperação entre países do Sul Global e fortalecer mecanismos de financiamento voltados ao desenvolvimento sustentável e à infraestrutura.
A declaração foi feita durante a reunião anual do NBD realizada em Moscou, na Rússia, sob o tema “Financiamento do Desenvolvimento em uma Era de Revolução Tecnológica”.
Durante a cerimônia de abertura, Dilma destacou que a economia mundial atravessa um período de elevada instabilidade, marcado pelo aumento das tensões geopolíticas, crescimento do unilateralismo e riscos crescentes para a estabilidade financeira internacional.
Segundo ela, o banco precisa ampliar sua capacidade de resposta diante desse cenário global desafiador, fortalecendo sua resiliência financeira e garantindo fontes confiáveis de financiamento para os países membros.
“O NBD deve se preparar plenamente para aumentar a resiliência e defender a segurança universal”, afirmou Rousseff.
Banco dos BRICS amplia papel estratégico
Criado pelos países do BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento vem ampliando sua atuação como alternativa às instituições financeiras tradicionais dominadas por economias ocidentais.
Com sede em Shanghai, o NBD foi oficialmente inaugurado em 2015 e tem como principal objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes.
Dilma Rousseff afirmou que a infraestrutura continua sendo a principal base para o crescimento econômico de longo prazo e destacou que o banco pretende expandir o uso de tecnologias digitais e novas ferramentas financeiras para aumentar o acesso ao crédito e ao investimento.
Segundo a presidente do NBD, o atual cenário internacional exige maior capacidade de adaptação das instituições financeiras multilaterais, especialmente diante das transformações tecnológicas e econômicas em andamento.
Ela também defendeu o fortalecimento da cooperação Sul-Sul como instrumento estratégico para reduzir desigualdades globais e ampliar oportunidades de desenvolvimento para países emergentes.
Rússia reforça defesa de novo sistema financeiro global
O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, participou do evento por videoconferência e afirmou que o NBD se consolidou como um dos pilares do sistema financeiro do Sul Global.
Segundo Mishustin, o banco possui bases sólidas para se tornar uma instituição financeira internacional de referência, ajudando países emergentes a desenvolver projetos estratégicos e ampliar investimentos de longo prazo.
O premiê russo também reiterou a posição da Rússia em defesa de um sistema financeiro internacional mais equilibrado, sustentável e menos concentrado em instituições ocidentais.
“O NBD está bem posicionado para desempenhar um papel único nesse processo”, afirmou.
Revolução tecnológica impulsiona nova agenda econômica
O encontro anual do banco ocorreu em meio ao avanço acelerado de tecnologias emergentes, inteligência artificial, digitalização financeira e transformação da economia global.
Especialistas avaliam que instituições como o NBD devem ganhar importância nos próximos anos, principalmente em áreas como:
- infraestrutura digital;
- energia sustentável;
- inovação tecnológica;
- cidades inteligentes;
- logística internacional;
- conectividade;
- transição energética.
O banco também vem ampliando sua relevância no financiamento de projetos ligados à modernização econômica de países do BRICS e outras economias emergentes.
BRICS ampliam influência econômica global
Nos últimos anos, os países do BRICS intensificaram esforços para ampliar sua participação na economia mundial e reduzir a dependência de mecanismos financeiros tradicionais dominados por potências ocidentais.
Além de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul, o bloco passou por um processo recente de expansão, aumentando sua influência política e econômica internacional.
Analistas apontam que o fortalecimento do NBD faz parte de uma estratégia mais ampla voltada à construção de uma arquitetura financeira multipolar, com maior participação dos países emergentes nas decisões econômicas globais.
O avanço do banco também ocorre em um momento de crescente disputa geopolítica e reorganização das cadeias econômicas internacionais, impulsionando novas alianças comerciais e financeiras entre países do Sul Global.

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